quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vivendo?



Saio de mim em cada momento

Pouco me importa se vida gira à minha volta

Pouco ou nada pretendo nem espero

Quero apenas o silêncio do ausente

A paz de nada ter

O marasmo de horas iguais

Quero ausência de todos os sentidos

Quero deixar-me embalar pelo vazio

Não pensar em nada nem ninguém

Não tenho ambições nem pretendo ter

Não vivo nem me apetece viver

De mim apenas…

O corpo animado pela vida ainda presente

Porque me tornei um vegetal

E assim permanecerei.

Assim me retribuíram

Assim me quiseram.

terça-feira, 13 de maio de 2008

De pé?



Mantiveste-te de pé velha árvore

Acossada pelo tempo

Maltratada e sem alimento

Deste sombra e abrigo

Protegeste quem à tua sombra se sentou

O tempo é inexorável no seu passar

O tempo castiga

O tempo desgasta

Velha árvore que tanto deste

Que tanta sombra nos dias maus ofereceste.

Agora caída e só

Sem mais poder dar abrigo

Ainda esperam que teu tronco destruído

Sirva para decepar

Para cortar e sangrar

Sangrar em seiva de lágrimas

Em dores incontidas

Em bocados …

Apenas bocados quem sabe...

Para numa lareira em derradeiro doar

Aqueça alguém que sinta frio.

sábado, 10 de maio de 2008

Fragmentos



Pensaste…

Que destruir, seria martelar sem cessar

Martelar as minhas emoções

O meu sentir

O meu ego?

Nem penses...

Apenas ficam fragmentos que se unem

Que se juntam depois de destruídos

Deixa que espectadores de pedra se riam

Deixa que o tempo vá passando.

Da minha cabeça fragmentada em humilhações

Apenas se destrói o que é visível.

A consciência inteira dentro dela mantém-se inalterável

O meu sentir será invencível

Jamais terás a capacidade de vencer por mal

Serás um pária de tudo

E a minha semente

Ficará imune

Tu continuarás sem ser nada

Um lacaio

Um pobre sem rumo nem norte

Sem teres identificação nem respeitabilidade.

Ri…

Ri agora

Porque te espera um vale de lágrimas.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Neblina



Assim chegarás na neblina

Cansado e só

Sem referências

E apenas curvado pelo veneno que bebeste.

Abandonado de ti próprio

Dorido de teres dado aos outros

Negando ao teu sangue

Serás um velho só amargurado pelo remorso

Um homem de letra pequena

A quem ficará o estigma do...

Coitado!

Do pai que deu pouco

Podendo dar muito.

Terás como lugar um banco húmido e sombrio

Serás um estranho no coração dos que tantos te amaram

Dos que esperaram…

Esperam em vão

Dos que em noites a fio se preocuparam contigo

Daqueles que até da tua paternidade duvidaram

Com actos tão duros de saber

Com ausências não forçadas

Mas exigidas na embriaguez de cálices de vidro barato

Quando bebias ilusões

Em falsos copos de cristal

Jorrando veneno

Iludindo-te com vinhos exóticos.

Embriagando-te em estupidez

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pouco falta



Assim te vejo

Assim te sinto

E finalmente…

Deixo!

Embora muito debilitada

Deixo de me preocupar

Finalmente vejo claro

Sem preocupações

Sem dó

Sem lamentos

Nem medos

Caminha pelos teus passos

Segue em frente

Segue esse teu rumo sombrio e tenebroso

Não grites por nós

Nem chames quando o momento chegar

Verás quão dura e triste será a perda

A perda que a nós nos deu a liberdade

O respirar livremente sem a presença

De quem imbecilmente

Nos fez parar

Nos fez ver sombras

Passou anos humilhando-nos

Criticando apenas

Sem nada dar

Afinal o sol brilhava lá fora

terça-feira, 6 de maio de 2008

Olhos...




Olha para mim homem de sabedoria

Homem capaz de tudo.

Olha!

Mesmo com esses olhos cegos

Olhos que!

Apenas fingem que não querem ver.

Como te danificaram a imagem.

Como te pintaram do que não és!

Vai olhando e pacientemente esperando.

A paciência é própria dos capazes dos inteligentes.

Deixa-te estar cego no barco da vida

Não enxergues e mantém apenas os olhos da alma abertos.

Verás!

Como com ingratidão e maldade…

Pagam o que em esperança deste.

Sente como eu …

Sente o ardor do punhal ferindo as tuas costas.

Mas, não tires a máscara.

Dança freneticamente o carnaval da vida

Ele irá durar o tempo que quiseres

Esconde-te atrás desses olhos cegos

Mas que tudo vêem e sabem.

Um dia será o teu dia.

E ao teu lado estarei para te apoiar

Saborear o gosto doce …

O momento que sabemos que não tarda

O momento …

De arrancar o punhal que com ingratidão

Cravaram nas tuas e nas minhas costas.

domingo, 4 de maio de 2008

Tristemente



Homens como tu…

Poucos como tu.

Nunca tiveram mãe, nem irmãos, nem família

Nem mulher e filhos.

Nem amigos.

Vivem num buraco autista

Não tocam as mãos que se estendem

Esquecem filhos e família

Dizem viver dia a dia mas mentem-se

Embrulham-se em mentira

Para alimentarem o ego doente

Esbanjam sentimentos como se fossem areia ao vento.

Não tem culto, nem pela paternidade

Nem pela família.

E amigos…

Que amigos?

Amigos que recebem que nada dão.

São tristemente doentes

E teimosamente sós.