terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um dia....





Um dia voarei pelos caminhos que não pude passar
Passarei por todos os mil cantos a que tive direito
Voarei como uma águia rasgando os céus em liberdade
Um dia ….
Um dia serei livre como sempre quis ser.
Um dia!
Um dia, de muitos dias, não terei grilhetas nem pesos.
Apenas espaço!
Espaço no tempo.
No tempo sem espaço.
Porque o tempo que me deram limitou.
E nessa altura ….
Sairei cruzando os mares
Correndo pelas dunas
Sem horas
Sem condições
Sem estas grilhetas que me subjugam.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ao menos....




Ao menos destapa-me a cara!
Indica-me o caminho
A carga, continuo a levar
Indiferente aos dias de sol ou chuva
Mesmo sem a força que preciso para a transportar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Tornar vazio





Tornei-me vazio
Esvaziei-me de tudo.
Não sinto dores, nem mágoas, nem felicidades.
Que dia é hoje?
Não sei nem me interessa.
Passei ouvir a vida num compasso de solfejo batendo certo.
Sinto-me invisível quando saio e passo por alguém.
Não gosto de companhia nem de que haja sol, vento ou frio.
Sei que vivo bem ao fazer-me incógnita de tudo.
Tornei-me labirinto onde deambulo sem destino…
Mas também o destino não me importa.
Nem me importa o silêncio sem a melodia dos dias de sol.
Será que alguma vez houve sol na minha existência?
Já não é prisão, é paz!
A paz que me impus para passear pelos dias da minha vida.
Não janto nem almoço, alimento-me do essencial.
Ando descalça no gelo da alma.
Desta alma que parou de doer
Que parou de sentir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Emparedada





Assim espero emparedada em dias sem fim.
Vens para me deixar na mesma
Sem me soltares da amalgama de tijolos e paredes
Deixaste que tudo se resolvesse por mim
Fugiste na facilidade que a minha competência resolvesse a vida.
Consegui!
Enquanto levianamente, virar as costas foi para ti mais fácil.
Já não me tens!
Assusta-me o teu regresso.
Traz-me angústia!
Quem és tu que retornas a casa em sorriso forçado
Esperando que braços abertos te recebam?
Sabes o que é roubar a vida, os dias, as horas?
Ouvir o som do silêncio como um grito lancinante nas noites frias?
Que me vens dizer?
Quem és tu?
Se te sinto entre um turbilhão de ondas de mentira e de cobardia?
Que queres mais de mim?
Habituei-me a paredes e solidão.
Mentiste-me!
Não cumpriste!
Nada nem ninguém me poderá separar de ti!
Ouvi-te mil vezes!
Acreditei sempre!
Pensei que eras capaz.
Julguei-te diferente.

domingo, 10 de maio de 2009

Véu







Não me exijam o que não posso dar
Não me peçam as estrelas que brilham no céu.
Nem a estrela cadente que passa fugidia.
Não me implorem que me cubra de um véu espesso.
Dei o corpo, dei a alma!
A alma retornou livre
Hoje corre cadente
Enorme
Corre livre e não carente!
Ela é plena em luz e espaço,
Mas…
Oculta-se!
Nem sempre cruza o caminho que trilhámos.

domingo, 3 de maio de 2009

Ousadia






Quem és tu?
Que me classificas
Que passas pela vida sem dar a mão.
Quem és tu, capaz de me saber mãe em tempo inteiro de vida
De vida mal vivida
De noites mal dormidas
De momentos duros em solidão
Com rumos que tento preparar
Caminhos sem caminho
Caminhos tão cegos como tu.
Quem és tu que te lembras que sou mãe?
Que ousas classificar-me num manifesto de dia.
Quantas horas perderam eles à tua espera?
Quantas vezes um conforto, um carinho ou um interesse?
Quem és tu?
Que passas pela vida, da vida dos teus filhos …
E nem estrada.
Nem farol
Nem um passeio na praia
Ou um cinema animado.
Nem sequer, uma noite mal dormida.
Que perdes palavras de amor, dedicação e tempo
Para as dizer e escrever, quem sabe….
A compreensão, o ombro amigo, o dever!
Sim o dever!
Para outrem…
Quem ousas tu classificar?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Noites






Quando a noite chega à madrugada…
Quando essa noite de putas e vagabundos
De marginais e bêbados me esquece,
Sinto que me perdi em mares frios
Em tempos que não existem
Em momentos que deixei como areia…
Escorregar por entre o cetim macio da minha camisa de noite.
Passo as mãos sobre o meu corpo quente
Não tenho nem cheiro
Nem desejos.
Olhos vazios e cegos no escuro
Aguardo que o bafo de amor se deite ao meu lado
Respirando ofegante e pleno
Que o suspiro do êxtase se espraie em mim
Que a fogueira se apague lentamente.
Em gemidos tranquilos de cansaços.
Meus pés procuram os teus por entre as dobras do lençol
Não estás!
Nunca estiveste!
Eu é que te sonhei em mim.
Que me sonhei mulher
Quando me apagaste apenas num sopro.