domingo, 5 de abril de 2009

Dançando a vida





Como se dança sozinho uma dança de vida interrompida?
Como mos merecemos um ao outro, se a musica soa em martírios.
Como te chegas a mim momentaneamente, em interrupções…
Deixando o tango amargo, pesado e cruel para que se mantenha em som de harmonia.
Ouves a musica?
Sabes o que se passa neste momento?
Uma música fúnebre envolve a casa.
São dores repetidas!
É a solidão, o passar do tempo
Que me esgotou a força
Sabes como vivem as sementes que juntos plantámos?
Num vaso de vício!
Num charco de lama…
Que nem as minhas lágrimas conseguem fazer mudar.
Tu embriagas-te com momentos
E eu, embriagada também, acredito em ti…
Ajuda-me!
Dança comigo até à exaustão.
Que na musica em uníssono, mesmo com mil instrumentos tocando
Possamos ouvir o mesmo som.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A espera do combóio






Vieste sereno e meigo
Chegaste cheio de luz no olhar
Tanto carinho para mim...
Meu sentir fica perdido.
Não te conheço com tanta versão de sentimentos
Soa-me a inverdades, a palcos e teatros.
Deixo-me adormecer nos braços de um desconhecido
Modificado pela ausência, transformado por marcas de pecado.
Quem és tu?
Que me desassossegas e tanto me dás?
Que me abandonas em silêncio profundo
Ignorando logo de seguida
A minha abnegação
A minha lealdade
A verdade que nunca escondi.
Que me pedes para saltar muros intransponíveis
Que sentes as forças faltarem-me, mas insistes na minha capacidade.
Quem és tu …
Que passam anos
Passam dias
E não te ouço dizer
Descansa, mereces!
Deitada num sofá de penas e mágoas
Vestida em trajes elegantes
Colocas-me na linha de morte sem compaixão
Porque servirei até ao fim…
Porque do impossível, faço possível
Porque os bons momentos guardas para ti.
Em serenidade o comboio que passe.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Soltando o vento






Para a minha filha, que nasceu no dia internacional da Mulher

Não deixes nunca de ser quem és!
Em ti vejo a «Maior força do mundo».
Os sonhos em que teimas.
A sabedoria sem ostentação.
O amor incondicional.
A humildade dos inteligentes.
O sorriso dos puros.
O farol com luz.
A beleza de manteres vivo quem partiu.
As horas que a revê-lo, encontras em vão apoio.
O amor vivo, mas discreto.
A oposição que te ensinei.
Lembras-te?..........
Quando me sentires injusta…
Rebela-te!
A embriaguez de um olhar desfeito em lágrimas de amor.
O respeito desmedido da vida projectada em todas as vertentes.
Os animais como irmãos e guias.
A filosofia do tempo das estrelas.
O oculto tão certo.
O meu orgulho de seres a mulher que te ensinei a ser.
A honra de te ter trazido no ventre.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sem voz






A voz saiu-me rouca!
São cinco da tarde e ainda não tive um som que definisse a minha voz
Falei com um caracol que lento passou na minha janela!
Estou sem tempo!
Ou com tempo a mais?
Começo a sentir as pernas pesadas.
São horas de dias de noites sempre iguais.
Não falo!
Não caminho!
Só vejo o que me rodeia e o som do relógio…
Está frio…
Tanto frio em tudo!
Um frio na alma
Um gelo tão denso…
Será que voltarei a caminhar ao sol?
Meus órgãos funcionam…
Minhas pernas caminham e meus braços movimentam-se.
Estou fechada!
Presa!
As paredes são altas e intransponíveis.
Repito o meu nome!
Chamo pelo caracol!
Tenho voz sem fala.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Prece






Não acredito em preces
Nem acredito em milagres!
Resta-me imaginar como se ora em imaginação
Como se esquece tudo.
Apagarei do meu sentir tanta dor e mágoa?
Olharei para ti depois de dias de prantos…
Como se meus olhos não tivessem marcas?
Da vulgaridade que te tornaste…
Chegarás límpido e nobre.
Mas apenas chegarás…
Jamais os sulcos de dor se apagarão da minha alma.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Altar





Deixa que os pássaros rondem o meu altar
Apenas os terei em homenagem
Não te aproximes.
Eles levarão a minha alma voando em liberdade.
Finalmente livre de pesos incapazes.
Livre como o infinito do céu
Onde me espraiarei em delícias
Ausentes da albarda pesada
Que desumanamente colocaste em meus ombros
Julgando-te livre!
Vivendo indiferente!
Jamais serás livre!
Uma réstia de consciência atormentará os teus dias.
Não se mata só com armas…
Mata-se com cargas incapazes de suportar.

domingo, 2 de novembro de 2008

O céu





O céu cobre-me com um manto gelado
Estou tão cansada!
Tão faminta de paz, de sossego.
Apenas um colo…
Um colo de seda e mudez.
Mas um colo onde não escorregue em ansiedade e insegurança
A seda que tenho é escorregadia
O céu que me cobre gela-me todos os instintos
Sinto-me apagar em frios de medo.
O sol transformou-se num hálito gelado
Envolve-me e cristaliza-me.
Não gosto de ser o que não sou.