quarta-feira, 9 de abril de 2008

Durante a noite



Durante a noite meu ser vagueou sem paz

Senti-me atormentada

Senti, como se um sopro hálito de veneno

Me aconchegasse os lençóis

Passei meu sono intranquilo

Senti que mais uma vez …

Mais uma vez

Minha vida era usada

Senti o erro

Senti a mentira rondando o meu sossego

Como sabia?

Como senti?

Porque senti?

Porque dizes e logo a seguir

De palavras que são bálsamo

Logo a seguir…

Um tropeço

Um encontrão

Uma omissão.

Não tens receio?

Não te atormenta a alma

Tirares as migalhas que da tua mesa caiem?

Maldição…

Ou talvez loucura!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Falsamente mulher



Porque não comentar?

Porque não criticar e até fazer chacota

À mulher aparentemente empresária ?

À mulher, apenas mulher...

Mulher fiel e pura!

Mulher sem estigmas de interesses.

Ao cansaço sem par

À competência!

Como admiro mentes tão sublimes…

Como gosto de saber que na indecisão de amores

Se pedem favores...

Se guardam benesses.

Ah se eu soubesse…

Se eu tivesse esta universidade…

Como teria lucrado!

Em meias frases, em meias palavras

Em momentos subtis

O lucro fácil

Os tolos servindo

As confidências usadas

A amizade proclamada…

Amizade?

Deixa-me rir e fingir que acredito

Não escorregues …

Não tires a mascara

Que já pouco te equilibras

Quanto mais quando...

Quando se esgotar no tempo

A farsa que és!

A queda que darás!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vou mudando



Vou mudando...
Do silêncio que me acompanhou
Da noite que se instalou no dia
Devagar...
Vou mudando.
Hoje as minhas origens que esqueci...
Que esqueci por ti.
Ecoaram em alegria pela casa.
Meu coração encheu-se de jubilo
Minha alma soltou-se quando a musica me pegou ao colo
Foi como se tudo voltasse ao passado feliz.
Consegui sentir o que é o meu ventre.
Minha identidade, minha estrada.
Vida perdida em promessas que não cumpriste.
Sentir que nada tenho que te dar
Já dei demais!
Perdas?
Perdas terás tu!
Quando em liberdade meu coração fugir de ti.

Para !



Pára!
Assim estará a minha vida
Entre a minha e a tua vida.
Pára, que me esgotei.
Pára, que nem a saudade nem a ausência me magoam.
Contigo aprendi a frieza ...
O lidar sem sentimentos
O viver para mim.
Esbanjar o meu sentir ?
Contigo?
Para quê?
Nem vejo nem sinto se sorris...
Cada vez estarás mais distante...
E, possivelmente para liberdade minha
Possivelmente para felicidade.
Felicidade, que maldosamente e sem perdão
Arrancaste do meu ser.
Hei-de sorrir!
Hei-de ser feliz!
E tu serás passado.
Carregando nos ombros
O peso do que fizeste
O remorso que te chegará um dia.
Tão pesado como a dor que carreguei
Sem merecer!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mãos



Em mil mãos me dividi

As minhas únicas, não chegavam

Dar era verbo pronunciado

O pedir era constante

Mesmo assim …

Ainda tinha mãos para acariciar, para tocar.

Não me lembro de outras mãos a ampararem-me

Não me lembro de mãos para me aliviarem.

Desdobrei-me em dádiva

Estou cansada

Jamais darei sem receber

Nunca mais serei a mesma

Não receberei

Mas também não dou.

Sou mulher de duas mãos

Sou capaz do que apenas sou capaz

A possibilidade

O carinho

A capacidade

Apenas dentro da medida

Foi demais!

Porque deveria ser certa

Deveria ser equilibrada

Apenas a capaz de minhas duas mãos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Eu



Assim estou...

Calada, submissa em dias perdidos.

Para que hei-de clamar?

Implorar…

Com pleno direito a exigir?

Assim me prostraram em tantos momentos

Assim me retribuíram

Tanto amor, tanta abnegação, tanta doação.

Será que levantarei o véu que me impuseram?

Será que movida de uma força sem par

Ainda conseguirei rebelar-me?

Pedem-me esquecimento

Pedem-me que ainda conceda mais

Jogam minha consciência em farrapos ao vento

Para que não se notem

Sabem e manipulam o meu ser.

Ela ama tanto, que não é capaz, pensam, dizem e sentem.

Possivelmente tem razão…

Com sagacidade conhecem-me bem.

E heis-me prostrada

A mãe, a irmã, a filha, a esposa e amante.

Querendo mais de mim.

Usando-me

Violando meus sentimentos e alma

Coberta…

Nem lágrimas se notam

Quando rolam pela face em mil momentos.

Levantar o véu?

Por índole e comodismo

Ninguém!

Nem tu que tanto juraste amor.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Teia



Hoje é dia do teu dia

Dia de todos os dias que percorres na vida

Mentirosa

Falsa e fingida

Carácter sinuoso onde se perdem alguns

Amigos?

Não me faças rir!

Que amigos?

Promessas subtis, meias palavras

Corpo para se usar em meia oferta

Esse corpo que começa a cansar-se

O tempo vai marcando

O teu cartão de visita vai-se esbatendo.

Mentirás quanto tempo?

Quantos caiem na tua teia?

Quantos?

Ofertas, favores, dinheiros, jóias…

Quantos te olharão como mulher segura?

Continua…

Continua a fazer dos teus dias

Uma teia de aranha onde te embrulharás tanto

Que para te soltares

Nem tu própria saberás a saída do labirinto que construíste.