quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Soltando o vento






Para a minha filha, que nasceu no dia internacional da Mulher

Não deixes nunca de ser quem és!
Em ti vejo a «Maior força do mundo».
Os sonhos em que teimas.
A sabedoria sem ostentação.
O amor incondicional.
A humildade dos inteligentes.
O sorriso dos puros.
O farol com luz.
A beleza de manteres vivo quem partiu.
As horas que a revê-lo, encontras em vão apoio.
O amor vivo, mas discreto.
A oposição que te ensinei.
Lembras-te?..........
Quando me sentires injusta…
Rebela-te!
A embriaguez de um olhar desfeito em lágrimas de amor.
O respeito desmedido da vida projectada em todas as vertentes.
Os animais como irmãos e guias.
A filosofia do tempo das estrelas.
O oculto tão certo.
O meu orgulho de seres a mulher que te ensinei a ser.
A honra de te ter trazido no ventre.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sem voz






A voz saiu-me rouca!
São cinco da tarde e ainda não tive um som que definisse a minha voz
Falei com um caracol que lento passou na minha janela!
Estou sem tempo!
Ou com tempo a mais?
Começo a sentir as pernas pesadas.
São horas de dias de noites sempre iguais.
Não falo!
Não caminho!
Só vejo o que me rodeia e o som do relógio…
Está frio…
Tanto frio em tudo!
Um frio na alma
Um gelo tão denso…
Será que voltarei a caminhar ao sol?
Meus órgãos funcionam…
Minhas pernas caminham e meus braços movimentam-se.
Estou fechada!
Presa!
As paredes são altas e intransponíveis.
Repito o meu nome!
Chamo pelo caracol!
Tenho voz sem fala.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Prece






Não acredito em preces
Nem acredito em milagres!
Resta-me imaginar como se ora em imaginação
Como se esquece tudo.
Apagarei do meu sentir tanta dor e mágoa?
Olharei para ti depois de dias de prantos…
Como se meus olhos não tivessem marcas?
Da vulgaridade que te tornaste…
Chegarás límpido e nobre.
Mas apenas chegarás…
Jamais os sulcos de dor se apagarão da minha alma.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Altar





Deixa que os pássaros rondem o meu altar
Apenas os terei em homenagem
Não te aproximes.
Eles levarão a minha alma voando em liberdade.
Finalmente livre de pesos incapazes.
Livre como o infinito do céu
Onde me espraiarei em delícias
Ausentes da albarda pesada
Que desumanamente colocaste em meus ombros
Julgando-te livre!
Vivendo indiferente!
Jamais serás livre!
Uma réstia de consciência atormentará os teus dias.
Não se mata só com armas…
Mata-se com cargas incapazes de suportar.

domingo, 2 de novembro de 2008

O céu





O céu cobre-me com um manto gelado
Estou tão cansada!
Tão faminta de paz, de sossego.
Apenas um colo…
Um colo de seda e mudez.
Mas um colo onde não escorregue em ansiedade e insegurança
A seda que tenho é escorregadia
O céu que me cobre gela-me todos os instintos
Sinto-me apagar em frios de medo.
O sol transformou-se num hálito gelado
Envolve-me e cristaliza-me.
Não gosto de ser o que não sou.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ceguei





Por eles e por mim
Comecei em usos e atitudes iguais às tuas.
Visto-me de omissões e enigmas
Preparo caminhos que te farão sofrer.
Revesti-me de capas de força e resistência
Não mais ficarás impune perante o que fizeste.
Aderi ao teu jogo
Usei o teu punhal como arma.
Subestimaste-me julgando que por amor tudo suportaria.
Jogaste com as minhas emoções.
Brincaste tempo demais com os meus sentimentos.
Que julgavas?
Que te tinhas endeusado?
Não sabes que o amor tem que ser recíproco?
Que deste em troca de tanto?
Verás!
Verás a seu tempo…
Como do «Deus», nada restou.
As cruzes que me fizeste carregar
Deixaram de andar ao peito.
Pesam-me apenas nas costas
Mas não as vejo!
Ceguei!

domingo, 26 de outubro de 2008

Agora é tarde!





Agora é tarde!
Nem choro, nem compensações...
Pagarão os dias, as horas que não ficaste comigo.
Apenas contam os dias …
Tão poucos, em retribuição de uma vida.
Vida inteira doada.
Precisei em momentos que te chamava.
Nos momentos em que precisava tanto!
Quando me sentia só.
Assustada
Com pesos enormes
Sem força para levá-los.
Não me leves flores.
Não me elogies.
Nem me dês jazigos de ouro
Nem lágrimas…
Nada limpará o tempo…
O tempo!
Em que me abandonaste.