segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Prisão



Não farei nada

Não me vencerás pela prisão a que me submetes

Não tirarei correntes

Não soltarei os pulsos

Não farei o que me pedes

Nem viverei para me sentir assim

Não serei como tantas e tantas, comendo e bebendo aceitação.

Não permitirei que me mandem parar

A paragem será na morte.

Da morte que ao acontecer…

Silenciosa e sem testemunhas

Me há-de soltar os pulsos

Fazer-me livre.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Domingo




Ninguém poderá entender

Imaginar a angústia de dias seguidos em coma de emoções

Querendo e não tendo

Esperando sem regressos

Olhando domingos passados matando dias de vida

Fazendo uma penitência por pecados que não cometeu

Partir em bocados ilusões e esperanças

Presa, sempre presa sem grilhetas,

Invocando, implorando sem tréguas.

Atolada em areias movediças

Que quanto mais me debato mais me engolem.

Hoje, hoje em tempos de liberdade!

Vive-se tragada em escravatura disfarçada e subtil.

Porque me prendeste quando estava de costas?

Porque me envolveste numa teia gigantesca de aranha.

E esqueces o ferrão mortífero e final

Para aos poucos e em agonia

Colocares veneno em minha alma e meu corpo

Matando lentamente

Fazendo-me perder forças

E incrivelmente…O pior dia é sempre ao domingo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sentada na noite




Se os meu pés pudessem caminhar…

Se o que me rodeia tivesse expressão

Caminharia ao encontro do infinito

Mas sinto horas iguais

Momentos sem vida

Pessoas que passam sem contorno

Como fantasmas acompanhando a minha quietude

Sento-me olhando a noite

Julgando que o sol está a despontar

Quando afinal se escondeu…

E o dia vai começar.

Sinto frio mas neva no meu espírito.

Nunca vejo o sol

Sinto um cárcere

Umas grades invisíveis

Perdi a esperança da liberdade

E só tu

Só tu que aqui me colocaste

Me podes resgatar

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Dono do meu tempo



Dono do meu tempo

Homem que caminhas com o relógio da minha vida na mão.

Dono das minhas horas

Liberta-me

Deixa-me caminhar a vida

Percorrer o caminho

Não ficar assim

Porque me manténs prisioneira?

Porque são teus passos o compasso das horas

Porque não me abres a porta?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pedido


Tanto pedido

Tanto amargor

Tanta voz ao vento…

Mil vezes rogado e não atendido.

Não me perderei

Desafiarei o mar violento

No meu barquinho sem casco e cansado

Atravessarei ondas altaneiras e fortes.

No porto de abrigo…

Deixo-te as sementes

As sementes do fruto que cuspiste

Que não escutaste

Que adiaste em razões infundamentadas

Eles cobrarão o adeus no horizonte

O barco navegando assustado mas firme.

Desaparecendo na neblina

Sem rasto e sem retorno

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Enquanto...





Enquanto

Enquanto não chove vem-me buscar

Não deixes meus dias consumidos em cigarros …

Enquanto não chove…

Não te esqueças de mim.

Porque nada de mim mais consigo dizer

Porque nem pedir consigo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Leva-me



Leva-me por esse caminho de sonho

Dá-me a mão e nada perguntes

Saboreia a paz que nos envolve

A felicidade de caminhar ao teu lado

O bem de estarmos apenas juntos

Não me dês mais nada, que nada mais quero

Mesmo que seja irreal, que seja em sonho

Faz-me sonhar como fazias …

Faz-me viver

E saber, sentir que há um caminho

Um caminho de paz

A paz que sinto ao teu lado.