quarta-feira, 11 de junho de 2008

Uivo



Assim me levanto em uivo incontido

Em força inumana.

O grito de dentro

A dor espalhada

Em vales e ventos.

Titã de espíritos dormindo na alma

A raiva esmagada em silêncios perpétuos.

Levanto-me vezes sem conta

Uivando como animal ferido,em ânsias de morte.

Mas ergo-me em apoios inexplicáveis

Vindos de mundos desconhecidos

O som ecoa em mim, apenas em mim!

Como um rebentar de universos

Como o estalar da tempestade em dia de sol.

Não cairei!

O uivo é único

A força não cai.

Após a vida…

Ele ecoará em noites de paz

Em momentos que preparo

Para que o coração dos que amei

Se lembrem de mim.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Afastar




Quero afastar-me num dia frio

Sair sem que ninguém note.

Caminhar num túnel repleto de flores e folhas.

Andar lentamente para que nem o chão sinta o meu pisar.

Como apoio o nevoeiro da madrugada

Ouvir uma melodia sublime composta pelos meus sentidos.

Esquecer-me que parto

Que nada fica

Que em passos lentos e sem pressas descansarei

Assombração



Não chegues.

Vai-te embora e não atormentes os meus.

Aqueles que escolhi para amar a vida inteira

Vai.

Vai-te embora e não deixes marcas.

É tanta a minha fé que nunca conseguirás

Sinto o teu cheiro fétido rondar

Andar perto daquele que tão meu amigo foi a vida toda.

Afasta-te dele.

Lutarei com todas as armas contra ti

Não deixarei que o leves.

Não me assustas.

Não conseguirás.

Em mim está a esperança

E a força de te renegar.

Afasta-te morte maldita

Afasta-te daquele que não é meu sangue

Mas que o sangue dele me corre nas veias

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Assim?



Querias-me assim?

Assim desesperada e louca?

Destruída e convulsivamente em agonia

Mas não chegarei lá

Não conseguirás.

A minha força renova-se

O meu espírito quase que rasteja mas levanta-se

O meu ego fortalece-se com o tempo

Meu melhor amigo

O tempo…

Que não se move a rogos

Austero

Desapiedado

E tão cruel.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Finalmente




Soy el tigre.
Te acecho entre las hojas
anchas como lingotes
de mineral mojado.
El río blanco crece
bajo la niebla. Llegas.
Desnuda te sumerges.
Espero.
Entoces en un salto
de fuego, sangre, dientes,
de un zarpazo derribo
tu pecho, tus caderas.
Bebo tu sangre, rompo
tus miembros uno a uno.
Y me quedo velando
por años en la selva
tus huesos, tu ceniza,
inmóvil, lejos
del ódio y de la cólera,
desarmado en tu muerte,
cruzado por las lianas,
inmóvil en la lluvia,
centinela implacable
de mi amor asesino.

(Pablo Neruda)

Destapa-me



Destapa-me deste cárcere onde me encontro

Ajuda-me a sair deste emparedamento de espírito

Falta-me forças.

Ás vezes consigo respirar quando me dizes

Consegues!

Diz-me vezes sem conta

Todos os dias

Fecha os olhos e sente o que me atormenta

A minha alma está esvaída em sofrimentos

Em momentos que me levam tão fundo

Sem ninguém

Sem apoio

Apenas te tinha a ti

Onde repousar?

Onde deitar minha cabeça e esquecer?

Esquecer que me custa tanto

O que talvez…

O que nada!

O que nada custa aos outros.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Não choro, canto!



Não choro, canto ao vento

Ao vento que levará para longe os meus lamentos

Canto em choro

Mas sei que acabará

Sei que o choro se tornará melodia dos anjos

Sei que tudo passará

Que me revigorarei de forças e de ânimos

Sei que a dor não perdura

Que os desaires também terminam

Sei que sem me aperceber

Tenho tanto amor ao meu redor

Que o céu brilha e um dia começou

Que apenas …

Apenas e em silêncio!

Apenas, sofri muito.