sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

À margem


Na margem…

Entre escolhos e despojos.

Arrastada em tempestades.

Sem esperança e à deriva

Bate meu corpo inerte.

Não sei se existe sol, uma mão ou um pontão.

Vou batendo nas margens ao sabor do tempo

Tão nublado este lugar! …

Deixo-me arrastar pela corrente envolta em cardos.

Cansei-me de tentar agarrar-me a nada.

Desisti da esperança da tua mão para me ajudar.

Do porto de abrigo.

Como te conheço…

Como sei que esperas que o tempo passe.

E no passar do tempo, entre escolhos e despojos.

Batendo ao sabor das correntes.

Agredida por cardos e maus tratos.

Depressa esta alma e este corpo sucumbirão.

E apenas tu…

Tu, assassino de olhos de anjo.

Apenas tu, saberás como foi fácil levar-me ao fim.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Bendição



Vêem-me à recordação…

Minha companheira permanente e sempre presente

Momentos, vivências…

Lembras-te como me amavas?

Lembras-te como concebemos em amor infinito a nossa filha?

Como depois do amor

O sorriso

O cair nos teus braços

O teu olhar tão puro

Um amor de eternidade dizias…

A menina que tu querias.

Não existiam técnicas capazes...

Nem a precisão actual que a genética tem .

Lembro-me das tuas palavras.

A minha filha ficou feita hoje!

O amor faz milagres.

O amor consegue.

Disseste-o com firmeza!

E eu como bendita concebi.

E dei-te a filha que tanto querias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A ponte




A ponte vai submergindo lentamente.
Ainda consigo!
Ainda consigo atravessar se o tempo não passar rapidamente
Pés molhados na travessia...
Mãos que se agarram a nada...
Nevoeiro dissipado e a outra margem surgirá.
Mas por favor estende-me a tua mão
Antes que seja tarde demais.

Folha de outono




Não deixes que caia a última folha de Outono.

Do Outono em que me tens.

Deste Outono que se aproxima…

De dias ensolarados que me fazes perder.

Deixa que haja luz na minha vida.

Que ainda consiga segurar…

A última folha, sem que ela se perca irremediavelmente

Caída para sempre.

Mais um dia!





A noite caiu.

O dia passou.

Caminho sem destino, sem rumo na noite fria.

Ninguém, ninguém ocupa o meu lado.

Não é solidão…

A solidão é fácil de suportar.

A condenação sem fundamento, não!

Caminho…

Caminho em passos pequenos para não chegar ao fim do caminho.

Em direcção ao fim.

Ao fim que a todos espera mas que em condenação antecipas.

Tu sabes bem!

Tu sabes, que a mim não se pode fechar a porta

Não se pode impor clausura.

Nasci para me sentir livre.

Para ver o sol fechar-se ao fim do dia, em campo aberto.

Aqui me guardaste, fechada e sem sol.

Na noite constante.

Nos dias sem fim.

Morrendo todos os dias.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Grávida de ti




Repara no teu pulso.

Na mão que forte assume.

Estou prenha de ti.

Preciso de te parir e sorrir.

Soltar grilhetas e voar.

Correr campos sem fim e sentir ar.

Solta-me.

Desventra-me da tua imagem

Dos anos que me trazes assim.

Dá-me a luz da liberdade

Por tudo, alivia o fardo que pões em mim.

Corredor da morte




Por mais que te justifiques

Por mais que me queiras convencer

Por todos os argumentos…

Não mudas o meu espírito nem o meu sentir

É um corredor da morte.

Sem grades, sem portas fechadas, nem guardas.

Tu sabes…

Tu avalias a minha capacidade de suportar.

Mas há um limite…

Não se leva apenas à morte em guilhotinas ou cadeiras eléctricas.

Não se mata apenas com métodos instituídos.

Também se mata

Por deixar morrer.